Pesquisas de maio 2026: o que os números mostram antes do impacto do escândalo Vorcaro

Pesquisas de maio 2026

Eleições 2026 – Flávio Bolsonaro. (Imagem redes sociais).

O Brasil político de maio de 2026 vive um momento singular: ao mesmo tempo em que as pesquisas eleitorais mostram uma disputa presidencial extraordinariamente competitiva, um escândalo de grandes proporções explodiu no colo do principal pré-candidato da oposição.

O cenário que tínhamos antes de 13 de maio — quando o portal The Intercept Brasil divulgou os áudios de Flávio Bolsonaro (PL — Partido Liberal — RJ, Rio de Janeiro) com o banqueiro Daniel Vorcaro — já estava sendo dissecado pelos institutos de pesquisa. E o que vem a seguir — o impacto do escândalo nas intenções de voto — será revelado em pesquisas que saem nos próximos dias. Este artigo apresenta todos os números disponíveis, explica o que cada um significa e antecipa o que esperar das próximas rodadas.

O panorama das pesquisas — todos os institutos

AtlasIntel — 28 de abril de 2026

A pesquisa AtlasIntel, realizada em parceria com a Bloomberg entre os dias 22 e 27 de abril de 2026, ouviu 5.008 pessoas por meio de questionário digital. A margem de erro é de 1 ponto percentual, com nível de confiança de 95%. Registro no TSE sob o número BR-07992/2026.

Primeiro turno — cenário principal: Lula aparece com 46,6% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro soma 39,7%. A diferença de cerca de sete pontos mantém o presidente à frente, mas indica redução da folga observada em momentos anteriores. O restante dos candidatos aparece distante — Renan Santos (5,3%), Ronaldo Caiado (3,3%) e Romeu Zema (3,1%) — o que reforça a concentração da disputa entre dois polos.

Segundo turno: Flávio Bolsonaro e Lula aparecem em empate técnico — o senador com 47,8% e o presidente com 47,5%. A diferença de 0,3 ponto percentual está dentro da margem de erro de 1 ponto percentual.

Rejeição: Os dados de rejeição mostram patamar elevado para os principais nomes. Lula lidera com 51,0%, seguido por Flávio Bolsonaro com 49,8%. Jair Bolsonaro aparece com 44,9%, Renan Santos com 42,2%, Fernando Haddad com 41,9%, Romeu Zema com 40,9% e Ronaldo Caiado com 38,7%.

Áreas temáticas: No recorte por áreas de governo, Flávio Bolsonaro aparece à frente em temas ligados à economia e segurança. Em áreas como educação, saúde, política externa e promoção da democracia, os resultados indicam maior equilíbrio entre os dois candidatos. Na proteção do meio ambiente, há empate numérico com 48% para cada lado. Lula não lidera em nenhuma área de governo.

Preocupação do eleitor: A reeleição de Lula é apontada como o cenário mais preocupante para 47,3% dos entrevistados, enquanto 45,4% citam a eleição de Flávio Bolsonaro.

Futura Inteligência — 11 de maio de 2026

O Futura Inteligência entrevistou 2.000 eleitores entre os dias 4 e 8 de maio de 2026. Margem de erro: 2,2 pontos percentuais. Nível de confiança: 95%. Registro no TSE nº BR-03678/2026.

Primeiro turno: Lula e Flávio Bolsonaro estão empatados dentro da margem de erro de 2,2 pontos percentuais nos dois cenários estimulados testados. No cenário com Fernando Haddad (PT) no lugar de Lula, Flávio abre vantagem para o ex-ministro da Fazenda.

Segundo turno: Na simulação de segundo turno entre Lula e Flávio, há empate técnico. Lula venceria Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) e empataria tecnicamente com Ciro Gomes (PSDB). Flávio venceria Ciro Gomes, Haddad e Caiado.

Rejeição: Lula é o mais rejeitado, seguido de Flávio e Haddad.

Meio/Ideia — 6 de maio de 2026

A pesquisa Meio/Ideia ouviu 1.500 pessoas entre os dias 1 e 5 de maio. Margem de erro: 2,5 pontos percentuais. Nível de confiança: 95%. Registro no TSE sob o protocolo BR-05356/2026.

Segundo turno: Flávio Bolsonaro aparece com 45,3% das intenções de voto, contra 44,7% de Lula — empate técnico. No cenário contra Ronaldo Caiado, Lula soma 44,7% contra 40% do ex-governador goiano. Na disputa simulada entre Lula e Romeu Zema, o presidente fica com 44% contra 39% do ex-governador de Minas.

Datafolha — previsto para 15 de maio de 2026

O Datafolha registrou uma pesquisa presidencial com previsão de divulgação em 15 de maio. Foram ouvidos 2.004 entrevistados entre os dias 12 e 14 de maio de 2026. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Nível de confiança: 95%. Registro no TSE nº BR-00290/2026.

Esta pesquisa é particularmente relevante porque seu período de coleta (12 a 14 de maio) coincide parcialmente com o período imediatamente após a divulgação dos áudios de Flávio com Vorcaro (13 de maio) — o que significa que ela pode capturar o início do impacto do escândalo nas intenções de voto.

A pesquisa que todo mundo está esperando — AtlasIntel 19 de maio

A AtlasIntel registrou uma pesquisa para ser divulgada em 19 de maio com o período de coleta posterior ao vazamento das conversas. Ao todo, 5.000 eleitores estão sendo entrevistados por formulário eletrônico desde o dia 13 de maio — as entrevistas seguirão até 18 de maio. A margem de erro prevista é de 1 ponto percentual. Registro no TSE sob o número BR-06939/2026.

O diferencial desta pesquisa é decisivo: com coleta iniciada no dia em que o escândalo veio à tona, a pesquisa AtlasIntel pode capturar com mais precisão o humor do eleitorado após o caso vir à tona.

Além das intenções de voto para presidente, a AtlasIntel está perguntando especificamente sobre a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. São nove perguntas sobre o caso, entre elas: “Na sua percepção, qual grupo político está mais envolvido no esquema de fraudes financeiras do Grupo Master?”, “Você ficou sabendo do áudio e mensagens vazadas de supostas conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro?” e “Após tomar conhecimento das conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, você ficou mais ou menos disposto a votar em Flávio Bolsonaro para Presidente?”

O que os números mostram — análise consolidada

O cenário antes do escândalo

Consolidando os dados das quatro pesquisas disponíveis, o cenário que existia antes de 13 de maio pode ser resumido assim:

No primeiro turno: Lula lidera com vantagem que varia entre 5 e 7 pontos percentuais sobre Flávio — dependendo do instituto e da metodologia. Os demais candidatos (Zema, Caiado, Renan Santos) aparecem distantes, sem força suficiente para ameaçar o segundo turno.

No segundo turno: Empate técnico em todos os institutos entre Lula e Flávio. O pré-candidato do PL chegou a aparecer numericamente à frente do presidente em algumas simulações — algo inédito para um candidato que não era sequer mencionado nas pesquisas há um ano.

A tendência: Flávio cresceu de forma consistente desde o fim de 2025, saindo de menos de 20% para se aproximar dos 40% no primeiro turno. Lula oscila em intervalo mais estreito, sem conseguir ampliar vantagem de forma consistente.

O que o escândalo pode mudar

A questão central que as pesquisas de maio vão responder é: o eleitorado que migrou para Flávio nos últimos meses vai permanecer com ele após o escândalo dos áudios com Vorcaro?

Há três cenários possíveis:

Cenário 1 — Impacto limitado: O eleitorado de Flávio já desconta escândalos politicamente e o vê como alvo de perseguição. Nesse caso, a queda nos números seria pequena — 2 a 4 pontos percentuais — e ele se manteria competitivo.

Cenário 2 — Impacto moderado: O eleitorado de centro que havia migrado para Flávio retorna para a indecisão ou migra para Caiado ou Zema. Nesse caso, a queda seria de 5 a 8 pontos no primeiro turno, mas o segundo turno continuaria equilibrado.

Cenário 3 — Impacto severo: O escândalo colapsa a candidatura de Flávio, como ocorreu com outros políticos que foram apanhados mentindo publicamente de forma documentada. Nesse caso, a queda seria de mais de 10 pontos e o segundo turno deixaria de ser competitivo.

O CEO da AtlasIntel afirmou que as chances de reeleição de Lula dispararam com as revelações sobre Flávio Bolsonaro e Vorcaro — sinalizando que o instituto já projeta algum impacto significativo nos números.

O que mais as pesquisas revelam sobre o eleitorado brasileiro

Além dos números de intenção de voto, as pesquisas de abril e maio revelam características importantes do eleitorado de 2026 que vão além da disputa presidencial.

A alta rejeição mútua: Com Lula e Flávio ambos acima de 49% de rejeição, a eleição de 2026 será marcada pelo voto útil e pelo voto contra — mais do que pelo voto a favor. Isso significa que o resultado pode ser determinado mais por quem o eleitor quer evitar do que por quem ele quer eleger.

A desconfiança nas instituições: As pesquisas mostram que parcelas significativas do eleitorado desconfiam tanto do governo quanto do STF, do Congresso e da imprensa. Essa desconfiança generalizada cria um ambiente em que escândalos têm efeito imprevisível — porque o eleitor já desconta certo nível de desonestidade de todos os lados.

A fragmentação do campo conservador: Com Zema, Caiado e Renan Santos disputando uma fatia relativamente pequena do eleitorado, o campo conservador está mais unificado em torno de Flávio do que em qualquer ponto anterior da corrida — o que explica parte de seu crescimento nas pesquisas.

O que esperar nas próximas semanas

As pesquisas que serão divulgadas entre 15 e 19 de maio vão definir o cenário eleitoral da reta final. Se os números de Flávio caírem significativamente, o campo conservador pode entrar em crise — com pressão para que ele abandone a candidatura ou para que um outro nome assuma a liderança da oposição.

Se os números se mantiverem relativamente estáveis, isso vai confirmar que o escândalo Vorcaro — por mais grave que seja juridicamente — não tem o poder de quebrar a lealdade do eleitorado conservador.

O Política Forte vai acompanhar e analisar todas as pesquisas assim que forem divulgadas.

O Política Forte acompanha as pesquisas eleitorais e o cenário de 2026 com análise independente. Acompanhe nossas atualizações.

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