A menos de cinco meses do primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para outubro de 2026, os institutos de pesquisa convergem para um cenário inédito: pela primeira vez desde o início do ciclo eleitoral, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) aparecem tecnicamente empatados em múltiplos levantamentos nacionais.
A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (13 de maio) mostra Lula com vantagem de 6 pontos percentuais no cenário estimulado de primeiro turno, mas no segundo turno os dois candidatos estão dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais — o que caracteriza empate técnico. O levantamento ouviu eleitores de todo o país e está registrado no TSE sob o protocolo BR-03598/2026.
A mesma tendência aparece em pesquisas anteriores. O Futura Inteligência, instituto da Apex Partners, entrevistou 2.000 pessoas entre os dias 4 e 8 de maio e chegou à mesma conclusão: empate técnico entre os dois principais candidatos, tanto no primeiro quanto no segundo turno. O levantamento está registrado no TSE sob o protocolo BR-03678/2026.
O que explicam esses números?
O empate nas pesquisas reflete dois movimentos simultâneos. De um lado, o governo Lula enfrenta desgaste associado ao custo de vida, especialmente o preço dos alimentos, mesmo com indicadores macroeconômicos positivos como o menor desemprego em dez anos. De outro, Flávio Bolsonaro consolidou sua posição como principal herdeiro do bolsonarismo após a inelegibilidade de seu pai, Jair Bolsonaro, condenado pelo TSE até 2030.
A rejeição é outro fator central. Lula é o candidato mais rejeitado em todas as pesquisas — mais até do que Flávio. Isso significa que, embora lidere numericamente no primeiro turno, o presidente enfrenta um teto de crescimento estrutural que pode ser decisivo num eventual segundo turno disputado.
Os outros candidatos
O cenário também inclui Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), que aparecem empatados tecnicamente com Lula em alguns levantamentos. Ciro Gomes (PSDB) confirmou recentemente que disputará o governo do Ceará, afastando-se da corrida presidencial. A ausência de uma terceira via consolidada favorece a polarização entre PT e PL.
O que vem pela frente
O calendário eleitoral avança com velocidade. O TSE realizou nesta semana o Teste de Confirmação dos sistemas eleitorais — etapa que vai até 15 de maio — para verificar as correções aplicadas após o Teste Público de Segurança realizado em dezembro de 2025. A regularidade técnica das urnas eletrônicas é um dos temas que a direita já anunciou que explorará na campanha.
Com a corrida presidencial empatada e o eleitorado polarizado, 2026 promete ser a eleição mais disputada desde a redemocratização.







