Davi Alcolumbre: quem é o presidente do Senado e por que ele é peça-chave no jogo político de 2026

Davi Alcolumbre — presidente do Senado Federal em 2026

Em um Congresso fragmentado e em um ano eleitoral explosivo, poucos cargos concentram tanto poder quanto a presidência do Senado Federal. Davi Alcolumbre, senador pelo Amapá pelo União Brasil, ocupa essa posição em um dos momentos mais tensos da história política recente do Brasil — com o embate entre STF e Congresso no auge, as eleições de outubro se aproximando e uma série de decisões cruciais pendentes na casa que representa. Entender quem é Alcolumbre, como chegou onde chegou e o que representa é entender uma das peças mais importantes do complexo quebra-cabeça político brasileiro de 2026.

Quem é Davi Alcolumbre

Nome completo: Davi Hermeto Rodrigues Alcolumbre Nascimento: 1982, Macapá, Amapá Partido: União Brasil Cargo atual: Presidente do Senado Federal (segundo mandato na presidência — eleito em fevereiro de 2025) Mandato de senador: desde 2015 — segundo mandato como senador

Davi Alcolumbre nasceu em Macapá, capital do Amapá — o estado mais ao norte do Brasil, com menos de 900 mil habitantes e três senadores que, como todos os estados, têm o mesmo peso que São Paulo na câmara alta. Essa característica do Senado — a igualdade de representação entre estados independentemente de seu tamanho — é parte fundamental da trajetória política de Alcolumbre, que construiu uma carreira nacional a partir de uma base eleitoral geograficamente pequena.

De família com tradição política no Amapá, Alcolumbre iniciou sua trajetória na política local antes de dar o salto para a esfera federal. Formado em direito, foi vereador em Macapá e deputado federal pelo Amapá antes de se eleger senador pela primeira vez em 2014.

Trajetória política — de Macapá ao centro do poder

A trajetória de Davi Alcolumbre é um exemplo de como o sistema político brasileiro permite que figuras de estados pequenos ocupem posições de enorme influência nacional — desde que tenham as habilidades de articulação necessárias.

Vereador em Macapá (2004-2006): Sua primeira experiência como mandatário eleito. Jovem político de família influente no Amapá, construiu base local que sustentaria suas candidaturas futuras.

Deputado federal pelo Amapá (2007-2014): Três mandatos consecutivos na Câmara dos Deputados, período em que desenvolveu as habilidades de articulação parlamentar que definem seu estilo político. Foi nessa fase que ampliou sua rede de relações para além do Amapá.

Senador pelo Amapá (2015-atual): Eleito ao Senado em 2014, foi reeleito em 2022. No Senado, rapidamente se destacou como articulador habilidoso e subiu na hierarquia da casa em velocidade incomum.

Primeiro mandato como presidente do Senado (2019-2021): Alcolumbre foi eleito presidente do Senado pela primeira vez em fevereiro de 2019 — logo no início do governo Bolsonaro. Sua gestão foi marcada pelo esforço de manter o Senado como instância de moderação em um ambiente político extremamente polarizado.

Segundo mandato como presidente do Senado (fevereiro de 2025-atual): Eleito novamente à presidência da casa em fevereiro de 2025, Alcolumbre retornou ao cargo mais poderoso do Senado em um contexto ainda mais complexo do que o de seu primeiro mandato.

O União Brasil — o partido de Alcolumbre

Para entender Alcolumbre, é preciso entender o União Brasil — o partido ao qual pertence desde sua fundação em 2022.

O União Brasil nasceu da fusão entre o DEM (Democratas) e o PSL (Partido Social Liberal) — dois partidos com histórias e bases eleitorais muito diferentes. O DEM era o herdeiro do antigo PFL, partido que dominou a política brasileira especialmente no Nordeste e que sempre foi identificado com o campo conservador mais tradicional. O PSL foi o partido que elegeu Bolsonaro presidente em 2018 — antes de o ex-presidente romper com a legenda e fundar o PL.

O resultado dessa fusão é um partido grande, com representação significativa em todo o país, mas com identidade ideológica difusa. O União Brasil abriga desde políticos identificados com o bolsonarismo até outros com perfil mais moderado e dispostos a apoiar o governo Lula. Essa heterogeneidade interna é ao mesmo tempo uma fraqueza do partido — que raramente vota em bloco — e uma fonte de poder para líderes como Alcolumbre, que podem transitar entre campos sem compromisso rígido com nenhum deles.

O papel de Alcolumbre no embate STF x Congresso

O momento político mais decisivo da gestão atual de Alcolumbre foi, sem dúvida, sua atuação na votação da Lei da Dosimetria — e nas consequências que se seguiram à suspensão da lei pelo ministro Alexandre de Moraes.

Foi Alcolumbre quem conduziu a manobra conhecida como “fatiamento” do veto presidencial — separando os trechos da proposta que beneficiavam criminosos comuns dos trechos que afetavam os condenados do 8 de janeiro. Essa manobra foi fundamental para viabilizar a aprovação da lei com 318 votos na Câmara, ao tornar o voto mais palatável para parlamentares governistas que relutavam em aparecer como defensores dos participantes dos ataques.

A suspensão da lei por Moraes horas depois de sua promulgação colocou Alcolumbre em uma posição desconfortável. Como presidente do Congresso — cargo que acumula com a presidência do Senado — foi ele quem promulgou a lei que o STF suspendia. O episódio acirrou o embate entre os dois poderes e colocou o presidente do Senado no centro de uma disputa que ele preferia arbitrar de longe.

Por que Alcolumbre é peça-chave em 2026

Em um ano eleitoral, a presidência do Senado é uma posição de poder extraordinário — e Alcolumbre sabe usar esse poder com habilidade.

O presidente do Senado controla a pauta da casa — decide quais projetos são votados e quando. Essa capacidade de pautar ou engavetar propostas é uma moeda de troca valiosa nas negociações com o governo e com a oposição. Projetos de interesse do Executivo ficam dependentes da disposição de Alcolumbre de colocá-los na pauta — o que lhe confere influência sobre a agenda do governo Lula.

Ao mesmo tempo, Alcolumbre precisa gerenciar sua própria sobrevivência política. Ele não pode se candidatar à reeleição ao Senado em 2026 — sua vaga não está em disputa neste ciclo — mas tem interesse em manter sua influência dentro do União Brasil e no cenário político nacional para os anos seguintes.

Sua posição em relação às eleições de outubro também é observada com atenção. O União Brasil ainda não definiu claramente seu apoio a nenhum candidato presidencial — e Alcolumbre, como uma das principais lideranças do partido, terá papel importante nessa definição.

O estilo Alcolumbre

Aqueles que acompanham Alcolumbre de perto descrevem um político de estilo essencialmente pragmático — alguém que prefere a negociação ao confronto, que constrói pontes onde outros erguem muros e que raramente faz declarações que possam fechar portas com qualquer campo político.

Esse estilo tem custos e benefícios. O benefício é a capacidade de articular maiorias em um Congresso fragmentado — Alcolumbre raramente chega ao plenário sem ter os votos contados. O custo é a percepção, em alguns setores, de que seu pragmatismo é na verdade oportunismo — que ele muda de posição conforme os ventos políticos sopram.

Seja qual for o julgamento sobre seu estilo, o fato é que Davi Alcolumbre chegou à presidência do Senado duas vezes — a partir de um estado com menos de 900 mil habitantes — e se mantém como um dos políticos mais influentes do Brasil. Isso exige mais do que sorte.

O Senado que ele preside

O Senado Federal que Alcolumbre preside em 2026 é uma casa em ebulição. O embate com o STF, as eleições de outubro, os escândalos que afetam senadores de diferentes partidos e a pressão crescente de todos os lados tornam a gestão da casa um exercício permanente de equilíbrio.

Alcolumbre vai terminar seu mandato como presidente do Senado em fevereiro de 2027 — após as eleições de outubro e a posse do novo governo em janeiro. Nesse período, ele terá que navegar entre as demandas de um governo que busca aprovar sua agenda e de uma oposição que busca bloquear e investigar.

É exatamente nessa navegação — entre pressões opostas, em águas turbulentas — que o talento de Davi Alcolumbre vai ser testado de forma definitiva.

O Política Forte acompanha o Senado Federal e seus protagonistas. Acompanhe nossas atualizações.

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