Este texto é uma análise opinativa da redação do Política Forte.
Em uma semana, o Brasil assistiu a um legislativo votando para reduzir as penas de quem tentou destruir a democracia, a um presidente que optou por não assinar e não vetar a nova lei, e a um ministro do STF que suspendeu tudo enquanto os tribunais debatem o que vem a seguir.
Se isso parece confuso, é porque é mesmo.
O que o Congresso fez
Quando 318 deputados votaram para derrubar o veto de Lula ao PL da Dosimetria, não estavam apenas mudando uma regra técnica do direito penal. Estavam enviando uma mensagem política clara ao país: os atos do 8 de janeiro não merecem punição exemplar.
O “fatiamento” do veto feito por Alcolumbre foi uma manobra cirúrgica. Ao excluir da votação os trechos que beneficiariam criminosos comuns, o presidente do Congresso isolou o tema politicamente — transformou a votação numa pauta ideológica da direita, e a oposição ao projeto ficou reduzida a 144 votos.
O silêncio de Lula
O presidente optou por não assinar a promulgação dentro do prazo constitucional. É um silêncio que fala alto: o governo sabe que a lei é juridicamente frágil e politicamente explosiva. Ao deixar que Alcolumbre promulgasse o texto, Lula tenta se distanciar do problema — mas os votos do Congresso são resultado direto da coalizão que o próprio governo montou.
O STF como último recurso
Alexandre de Moraes suspendeu a aplicação da lei horas após a promulgação. A decisão foi tecnicamente justificada — há ações de inconstitucionalidade tramitando — mas também é, inevitavelmente, um ato político num ambiente onde todos os atos são políticos.
O problema é que quando o STF precisa ser o guardião solitário da democracia, significa que os demais poderes falharam.
O que está em jogo
As eleições de 2026 se aproximam com um debate central que vai muito além de candidatos e programas: o Brasil vai punir quem tentou o golpe, ou vai anistiar?
A Lei da Dosimetria não é o fim desse debate. É o começo de um novo capítulo.
Redação Política Forte







