Nunes Marques toma posse na presidência do TSE hoje e vai conduzir as eleições presidenciais de outubro de 2026

ede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em Brasília, responsável pelas eleições de 2026

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem nova direção a partir desta terça-feira (12). O ministro Kassio Nunes Marques, 53 anos, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), tomou posse às 19h como presidente do TSE em 2026 — o órgão responsável por organizar, supervisionar e garantir a integridade das Eleições Gerais de outubro de 2026. Com Nunes Marques como presidente do TSE, a Corte Eleitoral enfrenta o desafio de conduzir o pleito mais disputado da história recente do país com imparcialidade e firmeza. A cerimônia ocorreu na sede do TSE, no Setor de Administração Federal Sul, em Brasília, com cerca de 1.500 convidados.

Na mesma cerimônia, o ministro André Mendonça, também do STF, assumiu a vice-presidência do tribunal. Ambos substituem a ministra Cármen Lúcia, que encerrou mandato de dois anos à frente do TSE.

Entre os convidados estiveram o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o ex-presidente José Sarney, que confirmou presença. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Fernando Collor, ambos em prisão domiciliar, precisariam de autorização judicial para comparecer.

Nunes Marques presidente do TSE 2026: quem é Kassio Nunes Marques

Natural de Teresina (PI), Nunes Marques nasceu em 16 de maio de 1972 e possui sólida formação jurídica. Antes de integrar o STF, atuou por cerca de 15 anos como advogado, foi juiz do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI) e chegou ao cargo de desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), em Brasília.

Foi indicado ao Supremo Tribunal Federal pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL) em outubro de 2020, na vaga aberta pela aposentadoria do ministro Celso de Mello. Foi a primeira das duas indicações de Bolsonaro ao STF — a segunda foi o próprio André Mendonça, em 2021.

A presidência do TSE é decidida por critério de antiguidade entre os ministros do STF que integram a Corte Eleitoral — um sistema de rodízio que garante alternância e estabilidade institucional.

Quem é André Mendonça

Natural de Santos (SP), André Mendonça nasceu em 27 de dezembro de 1972 e é pastor presbiteriano — perfil que motivou a promessa de Bolsonaro de indicar um ministro “terrivelmente evangélico” ao Supremo. Antes de integrar a Corte, foi Advogado-Geral da União (AGU) em duas ocasiões e ministro da Justiça e Segurança Pública no governo Bolsonaro. Sua indicação ficou travada no Senado por mais de quatro meses antes de ser aprovada, em dezembro de 2021.

O principal desafio: inteligência artificial nas campanhas

Nunes Marques já sinalizou que sua prioridade será o combate ao uso irregular de inteligência artificial (IA) durante a campanha eleitoral de 2026. Em março, o TSE aprovou resoluções que estabelecem:

  • Restrição de 72 horas antes e 24 horas após o pleito para circulação de conteúdo sintético que altere voz ou imagem de candidatos
  • Responsabilidade solidária das plataformas digitais pelo não cumprimento das regras eleitorais
  • Convênios com universidades para auxiliar a Polícia Federal na perícia de materiais gerados por IA generativa — evitando sobrecarga dos investigadores

O novo presidente adota postura menos intervencionista do que seus antecessores: prefere o uso do direito de resposta ao banimento imediato de conteúdo, e defende que o protagonismo nas eleições seja dos candidatos e dos eleitores.

A leitura política de uma posse incomum

Há uma dimensão simbólica relevante nessa posse. Nunes Marques, indicado por Bolsonaro, assume o comando da Justiça Eleitoral justamente no ano em que o campo bolsonarista tentará voltar ao poder — encabeçado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente condenado.

Em 2023, quando o TSE julgou a inelegibilidade de Bolsonaro, Nunes Marques foi um dos dois votos pela absolvição. O outro voto vencido foi o do ministro Raul Araújo (STJ).

Agora, como presidente da Corte, ele terá de demonstrar imparcialidade — tanto para não parecer favorável ao campo que o indicou, quanto para não parecer punitivista ao campo adversário. A linha entre fiscalização e protagonismo político será o grande teste de sua gestão.

Por Redação Política Forte | Brasília, 12 de maio de 2026

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